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Arruda defende novo ciclo para o DF e promete rever acordo do BRB

Em entrevista a um portal local, Arruda fala do seu retorno à política do Distrito Federal e defende mudanças na política administrativa para concertar o "rombo" causado nos últimos anos

Foto: Reprodução Instagram


"Foram 16 anos calado, apanhando. Se você não coloca a cara a tapa e não é candidato, você não pode dar a sua versão. Brasília vive um mau momento. Quero resgatar a Brasília que a gente tinha na época do (Joaquim) Roriz, no meu governo, e construir uma melhor para o futuro. Brasília precisa pensar melhor o seu futuro. Não pode ficar só remendando o presente. Há uma segunda razão, que é egoísta. A maneira como eu saí foi muito ruim" - José Roberto Arruda

Por Redação

O ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, voltou ao centro das atenções políticas ao apresentar propostas para uma eventual nova passagem pelo Palácio do Buriti. Ao reaparecer para a disputa pelo governo da capital Federal o ex-governador afirmou que a falta de participação direta nas disputas eleitorais reduziu sua capacidade de influenciar as discussões sobre os rumos de Brasília e de apresentar sua versão sobre temas que marcaram sua trajetória pública. Segundo ele, a ausência de uma candidatura nos últimos anos o deixou à margem de importantes debates políticos, cenário que agora pretende mudar. "Mas eu era muito pouco ouvido. Se você não coloca a cara a tapa e não é candidato, você não pode dar a sua versão", declarou. 

Para Arruda, a decisão de voltar ao cenário político está fundamentada em razões objetivas. A principal delas, segundo afirmou, é a percepção de que Brasília atravessa um momento delicado e precisa voltar a discutir projetos e alternativas para enfrentar os desafios da capital federal.

O ex-governador destacou que acompanha de perto os problemas enfrentados pelo Distrito Federal e acredita que sua experiência administrativa pode contribuir para a construção de soluções. Ao afirmar que Brasília vive um "mau momento", Arruda demonstrou preocupação com áreas consideradas estratégicas para a população e reforçou sua disposição de participar de forma mais ativa das discussões políticas nos próximos anos. Em entrevista a um portal de notícias local, o pré-candidato ao Governo do Distrito Federal pelo PSD afirmou que pretende concentrar esforços em mobilidade urbana, ampliação da rede hospitalar e reestruturação financeira do Banco de Brasília (BRB). 

"No meu governo, o metrô estava parado na Praça do Relógio, em Taguatinga. Eu levei até Ceilândia. Saí, e não fizeram mais nenhuma linha de metrô. Acho que essa experiência de fazer um governo com planejamento, onde ninguém assaltou o BRB, onde ninguém vendeu a CEB, é uma razão importante para eu estar no jogo", afirmou Arruda.

Ao defender seu retorno à vida pública, Arruda recorreu a uma comparação com o futebol para argumentar que sua trajetória política não pode ser resumida aos episódios mais controversos de sua carreira. Segundo ele, é preciso analisar o conjunto de realizações acumuladas ao longo dos cargos que ocupou e os resultados alcançados durante sua gestão.

"Eu acho que o Zico foi o maior jogador de futebol do Brasil depois do Pelé. Acharia justo fazer um documentário sobre o Zico mostrando apenas o pênalti que ele perdeu na Copa de 1986? Eu perdi um pênalti, mas quero ser lembrado pelo conjunto da obra", afirmou.

Arruda disse que uma eventual candidatura permitirá que ele responda diretamente às críticas que recebeu ao longo dos últimos anos e apresente sua versão sobre fatos que marcaram sua trajetória política. Para o ex-governador, o retorno ao processo eleitoral também representa uma oportunidade de contribuir com propostas e reflexões para o futuro do Distrito Federal e do país.

Ao destacar a experiência acumulada em funções públicas, Arruda afirmou que sua trajetória administrativa continua sendo reconhecida por uma parcela significativa da população. Segundo ele, pesquisas de opinião apontam um elevado índice de preferência popular, reflexo das ações implementadas durante seus mandatos. Entre os exemplos citados estão beneficiários de bolsas universitárias, famílias contempladas com moradia e comunidades que receberam obras de infraestrutura urbana, como pavimentação de ruas e melhorias em bairros do Distrito Federal. Para Arruda, essas realizações ajudam a explicar a permanência de seu nome no imaginário político da capital mesmo após anos afastado das disputas eleitorais.

"Não é à toa que 30% da população diz nas pesquisas que eu sou o candidato preferido. Todos os dias, encontro pessoas que se emocionam porque ganharam uma bolsa universitária, ou porque têm uma casa para morar, ou porque a rua do seu bairro foi asfaltada", enfatizou.

Arruda afirmou que Brasília precisa voltar a planejar o futuro e criticou o que considera falta de investimentos estruturantes nos últimos anos. Entre suas principais propostas está a construção de quatro novas linhas de metrô, ligando regiões administrativas do DF a municípios do Entorno, além da implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) conectando o Aeroporto Internacional de Brasília ao Plano Piloto.

"Uma cidade que tenha programas sociais, desenvolvimento e novas linhas de metrô. Quero fazer o hospital do Recanto das Emas, de São Sebastião, do Sol Nascente. Quero fazer a linha de metrô até Águas Lindas. Levar o metrô para Gama, Santa Maria, Valparaíso, até Luziânia (GO). Quero fazer o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) do Aeroporto", garantiu.

Segundo o ex-governador, os projetos contemplariam extensões para regiões como Ceilândia, Sol Nascente, Águas Lindas, Gama, Santa Maria, Valparaíso, Cidade Ocidental e Luziânia. Ele também defendeu a construção de uma quarta ponte sobre o Lago Paranoá, integrada a um novo eixo metroviário.

Na área da saúde, Arruda declarou que pretende construir novos hospitais públicos em regiões de grande densidade populacional, como Recanto das Emas, São Sebastião e Sol Nascente. O ex-governador argumenta que o Distrito Federal enfrenta dificuldades crescentes no atendimento à população e sustenta que a ampliação da infraestrutura hospitalar será uma das prioridades de sua plataforma eleitoral.

"As pessoas que precisam de saúde estão morrendo nas filas dos hospitais, acabaram todas as escolas públicas que eu deixei funcionando, os 300 postos policiais estão destruídos. O último hospital que se construiu em Brasília foi no meu governo. Faz 16 anos que eu saíe não deram conta de fazer mais nenhum hospital.Quero fazer o hospital do Recanto das Emas, de São Sebastião, do Sol Nascente", afirmou o ex-governador.

Outro ponto central da entrevista foi a situação financeira do BRB. Arruda fez duras críticas às operações recentes envolvendo o banco e classificou como inadequada a solução proposta para a capitalização da instituição. "Nunca vi algo assim. Antes de o BRB querer comprar o Master, o Master estava comprando o BRB. O Master tem 25% das ações do BRB. A DTVM do BRB foi privatizada, sem ninguém saber, para uma empresa ligada ao Master. Ela tem controle por 20 anos. Essa solução do empréstimo me parece o seguinte: o sujeito está devendo muito, vai em um agiota desesperado e pega o dinheiro de qualquer jeito. Estão pegando R$ 6,6 bilhões que vão custar R$ 15 bilhões. Pior, enquanto você não produzir superavit, você vai estar proibido de contratar concursado, de dar aumento de salário. Isso é um desastre", afirmou.

Caso seja eleito, afirmou que pretende revisar o contrato relacionado ao socorro financeiro do banco, alegando que o acordo comprometeria a capacidade de investimento do Distrito Federal nos próximos anos. Também defendeu uma reestruturação administrativa da instituição e a ampliação de sua atuação como banco de desenvolvimento regional. "O BRB tem 19 agências fora de Brasília. É preciso fechar tudo. O BRB patrocina time de futebol de fora de Brasília, prêmio de Fórmula 1, sala VIP para Granfino, fecha tudo. Diminui custos.Vamos trazer o Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO), R$ 15 bilhões por ano que hoje estão no Banco do Brasil, para ser aplicado pelo BRB. Com isso, você gera funding, movimento e o banco se recupera. Seria muito melhor, não apenas para Brasília, mas para Goiás, para Tocantins, para Mato Grosso, ter o Fundo Centro-Oeste aplicado ao BRB", sugeriu Arruda.

Durante a entrevista, o ex-governador também ressaltou a importância de manter uma relação institucional com o governo federal, independentemente de divergências ideológicas. Segundo ele, Brasília, por sediar os Poderes da República, necessita de diálogo permanente para garantir investimentos e soluções administrativas que beneficiem a população local. "O governo de Brasília é hospedeiro dos poderes. Eu fui governador com o Lula presidente e a relação com ele foi absolutamente respeitosa. Penso diferente dele ideologicamente, mas sou hospedeiro dos poderes da República. Tenho obrigação institucional na defesa do povo de Brasília de ter uma relação eficiente com o governo federal. Esse governo não fez isso e, agora, na hora que precisa, não tem diálogo", afirmou.

Questionado sobre sua situação eleitoral, Arruda afirmou que considera estar apto a disputar as eleições com base nas alterações promovidas pela Lei Complementar nº 219/2025. Embora reconheça a existência de questionamentos judiciais sobre a norma, disse acreditar que as regras atualmente vigentes asseguram sua participação no processo eleitoral. "O Congresso Nacional votou a Lei Complementar 219/2025, sancionada pelo presidente, que diz que os oito ou os 12 anos de inelegibilidade, quando é mais de uma condenação, começam a contar na decisão de segundo grau. No meu caso, foi junho de 2014. Venceu neste mês. Se a lei diz isso, eu estou de acordo com ela. A partir de hoje (ontem), estou elegível pela lei vigente. Agora, entraram com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal. Eu, pessoalmente, acredito que o Supremo, que exige que o Congresso vote leis eleitorais com antecedência de um ano, não vai mudar as regras eleitorais com antecedência de apenas três meses. Mas essa é uma avaliação pessoal", poderou.

Ao justificar sua decisão de voltar à disputa eleitoral após mais de uma década fora de mandatos eletivos, Arruda afirmou que deseja ser avaliado pelo conjunto de sua trajetória administrativa. O ex-governador destacou realizações de sua gestão e afirmou que pretende apresentar à população uma proposta de retomada do planejamento estratégico para o Distrito Federal. "Foram 16 anos calado, apanhando. Se você não coloca a cara a tapa e não é candidato, você não pode dar a sua versão. Brasília vive um mau momento. Quero resgatar a Brasília que a gente tinha na época do (Joaquim) Roriz, no meu governo, e construir uma melhor para o futuro. Brasília precisa pensar melhor o seu futuro. Não pode ficar só remendando o presente. Há uma segunda razão, que é egoísta. A maneira como eu saí foi muito ruim", afirmou.

Com a movimentação antecipada dos principais grupos políticos para as eleições de 2026, a eventual candidatura de Arruda volta a colocar em debate temas como mobilidade urbana, gestão pública, desenvolvimento regional e o futuro das empresas estatais do Distrito Federal.

Assista à entrevista:

*Com informações do CB.Poder - Entrevista de Manuela Sá, sob a supervisão de José Carlos Vieira

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