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Quando o jornalismo abandona a verdade e passa a servir à perseguição política

 Por De olho no DF - Direto da Redação 

Carlos Tabanez

Uma matéria assinada pelo jornalista Caio Barbieri, publicada no portal PlatoBR, tenta construir uma narrativa de criminalização em torno do projeto social Visão para Todos e do ex-deputado distrital Carlos Alberto Rodrigues Tabanez. O texto apresenta imprecisões factuais, omissões relevantes e dados inflados, além de surgir em um momento politicamente sensível: logo após Tabanez intensificar críticas ao Governo do Distrito Federal, a alguns deputados distritais, questionar decisões administrativas de grande impacto e declarar apoio público ao pré-candidato ao Governo do DF, José Roberto Arruda. 

O contexto não é detalhe. Ele explica muito. 

O que é o Visão para Todos — e o que foi convenientemente omitido 

O projeto Visão para Todos foi criado em 2019, sem qualquer recurso público, com o objetivo de oferecer consultas oftalmológicas e óculos gratuitos a crianças e famílias em situação de vulnerabilidade. Somente a partir de 2023 passou a receber recursos oriundos de emendas parlamentares, todas submetidas aos mecanismos legais de controle, com prestações de contas apresentadas e, em diversos casos, aprovadas por secretarias do próprio GDF — fato reconhecido inclusive na reportagem questionada. 

Um ponto central foi omitido: os valores públicos que permaneceram em aplicação financeira, gerando rendimentos, tiveram tanto o principal quanto os rendimentos integralmente devolvidos ao Governo do Distrito Federal, conforme determina a legislação e como consta na documentação oficial de prestação de contas. 

Além disso, o Visão para Todos tornou-se referência nacional em saúde visual, passando a ser replicado por outras instituições e organizações, em diferentes estados, mantendo o mesmo modelo e alterando apenas o nome da iniciativa. Projetos ineficientes desaparecem. Projetos eficientes são copiados.

Inquérito não é condenação 

A matéria tenta converter uma falsa denúncia um inquérito em fase preliminar — sem indiciamento, sem denúncia formal e sem qualquer notificação ao citado em uma condenação pública antecipada e irresponsável. 

O Jornalismo responsável apura, não sentencia ou tenta denegrir a imagem de alguém por interesses exclusos. 

Correções factuais que não podem ser ignoradas 

A reportagem apresenta erros objetivos: 

Valores de emendas foram tratados como se tivessem sido integralmente recebidos, quando parte relevante jamais foi liberada ou executada. 

O tempo de exercício parlamentar de Tabanez foi superestimado. 

Fato público e verificável: 

Carlos Tabanez exerceu mandato como deputado distrital por 18 dias corridos. 

Ainda assim, nesse curto período, apresentou: 

  • 48 Projetos de Lei; 
  • 22 indicações formais ao governador; 
  • 7 fiscalizações presenciais em hospitais públicos durante a madrugada, verificando falta de insumos, estrutura precária e atendimento à população. 

A omissão desses dados não é descuido. É escolha editorial. 

As críticas que incomodaram — e explicam o ataque 

A matéria ignora deliberadamente o conjunto de críticas públicas feitas por Tabanez, entre elas: 

  • críticas aos aumentos de IPTU e IPVA, que penalizam diretamente a população; 
  • questionamentos sobre a operação envolvendo o Banco Master; 
  • críticas à atuação dos 14 deputados distritais que, de forma recorrente, votam alinhados ao governador, sem debate ou enfrentamento público; 
  • e a declaração de apoio político a José Roberto Arruda, representando ruptura com o atual grupo no poder. 
  • Críticas a proposta da vice-governadora Celina Leão de incluir o medicamento Mounjaro na lista de remédios fornecidos pelo GDF 

Esse contexto ajuda a entender o motivo do ataque. 

Prioridades invertidas: Mounjaro x Hospital da Criança 

Outro ponto omitido diz respeito à crítica pública feita por Tabanez à proposta da vice-governadora Celina Leão de incluir o medicamento Mounjaro na lista de remédios fornecidos pelo GDF, o que poderia gerar gastos de milhões de reais. 

É fundamental esclarecer: Tabanez não propôs essa medida — ele a criticou, questionando prioridades.

A crítica ganha ainda mais força quando se observa que, no mesmo período, o GDF acumulava cerca de R$ 180 milhões em atrasos de repasses ao Hospital da Criança de Brasília, o que resultou em:

  • Suspensão de 64 leitos de internação; 
  • Fechamento de 14 leitos de UTI; 
  • Adiamento de diversas cirurgias. 

A pergunta é legítima: onde estão as prioridades do governo? 

Liberdade de imprensa seletiva? 

A matéria também silencia sobre a posição firme de Tabanez em defesa da liberdade de imprensa, ao criticar publicamente a tentativa de dois deputados distritais de silenciar denúncias verdadeiras feitas pelo jornalista Cabo Vitório. 

As denúncias envolviam, entre outros fatos: 
  • Invasão de área pública da CAESB por parlamentar; 
  • Tentativa de legalização do lote invadido por meio de licitação suspeita; 
  • Intervenção do Ministério Público, que anulou a tentativa. 

Enquanto isso, a omissão do DF Legal chama atenção: o órgão age com rigor contra moradias da população mais humilde, mas nada faz quando o infrator é deputado. 

Nepotismo ignorado Indireto e Cruzado 

Tabanez também denunciou publicamente a imoralidade no caso de deputada que nomeou mais de 17 parentes na estrutura do Governo do DF. Esse fato grave simplesmente não aparece na matéria. O silêncio é revelador. 

Transparência também se cobra de quem escreve 

Diante das distorções e do contexto político, surgem questionamentos legítimos de interesse público, não acusações: 

  • O jornalista ou o veículo recebem verbas de publicidade institucional do GDF? 
  • O jornalista ou o veículo recebem verbas de publicidade institucional de Algum deputado ou da CLDF? Há financiamento direto ou indireto de deputados distritais? 
  • Esses vínculos, se existentes, foram informados ao leitor? 

Eles ajudam a explicar o tom seletivo, os dados inflados e os silêncios convenientes? 

Transparência deve valer para todos. A verdade não teme investigação Carlos Tabanez declarou publicamente: que não foi notificado sobre qualquer inquérito; que todas as prestações de contas foram apresentadas; que valores e rendimentos de aplicações foram devolvidos ao GDF; e que confia que a verdade prevalecerá. 

Denunciar o governo não é crime. 

Criticar impostos e prioridades orçamentárias não é crime. Questionar nepotismo e privilégios não é crime. Defender a liberdade de imprensa não é crime. Criar um projeto social que se torna referência nacional não é crime. 

O que a sociedade não pode aceitar é a manipulação da informação para blindar o poder e tentar silenciar quem ousa enfrentá-lo.

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