Saída de Alceu Prestes alimenta disputa por autonomia política na Estrutural: base de Rafael Prudente aponta Evanildo Macedo, enquanto o parlamentar mantém Wagner Rodrigues no comando
Da Redação
A nomeação de Wagner Rodrigues de Sousa para a administração regional do SCIA/Estrutural, no Distrito Federal, está longe de pacificar o cenário político após a saída de Alceu Prestes. Pelo contrário, a mudança aprofundou concenso entre lideranças locais e trouxe de volta antigas insatisfações pelo controle da cidade, conflitos que, historicamente, pouco contribuíram para o seu desenvolvimento. A decisão, articulada diretamente pelo deputado Rafael Prudente, é vista por uma parcela significativa da comunidade, entre essas, grupos políticos ligados diretamente ao deputado, como desconectada do sentimento predominante na região e "decisão do próprio deputado" de que "o nome do novo administrador saíria do consenso entre a população". Nas redes sociais, a saída do então gestor gerou forte insatisfação entre moradores e lideranças.
Isso porque, apesar da oficialização do nome, Wagner Rodrigues está longe de ser consenso. Moradores e lideranças comunitárias e políticas da Estrutural defendem majoritariamente que, após a saída de Alceu Prestes, o comando da administração seja ocupado por alguém com trajetória construída dentro da própria cidade, retornando a velha discussão que pouco contribuiu para o progresso da cidade, e que não é unanimemente reconhecido no perfil do novo gestor. Segundo diferentes grupos, a decisão pela indicação do novo administrador, mais uma vez, não foi previamente consultada junto às diversas lideranças da cidade, contradizendo a "promessa feita por Rafael Prucente a seu grupo político" de que "o nome do novo administrador saíria do consenso entre a população", e causando o sentimento de insatisfação e que pode, segundo essas lideranças, causar um distanciamento nas relações políticas da cidade em ano eleitoral.
O contraste com o cenário anterior é evidente. A volta de Alceu Prestes ao comando da administração, em 2022, pela quarta vez, garantiu estabilidade e promoveu um raro consenso entre as lideranças locais. Embora não fosse morador da região, condição defendida por parte dos grupos à época, seu histórico de atuação e a afinidade já construída com a cidade foram determinantes para unir diferentes correntes em torno de seu nome. Com forte capacidade de articulação, Alceu conseguiu equilibrar interesses, estabelecer diálogo entre lideranças políticas e comunitárias e destravar demandas importantes. Seu trânsito em diversos órgãos do Governo do Distrito Federal também contribuiu para viabilizar ações concretas e impulsionar o desenvolvimento local.
Com sua saída, no entanto, o ambiente voltou a se fragmentar e os impasses sobre quem deve administrar a cidade ressurgiram, agora em confronto direto com os interesses do "padrinho da cidade". De um lado, a maioria dos moradores e das lideranças defende a escolha de nomes locais, com identidade e histórico na região, posição que se consolidou como predominante. De outro, uma parcela menor de grupos políticos aposta em perfis técnicos, com capacidade de manter o nível de gestão e articulação, além de possuir identidade com a cidade, deixado pelo ex-administrador, ainda que essa visão não represente o sentimento majoritário da comunidade.
Nos bastidores, a insatisfação com a escolha do novo administrador também impulsiona novas articulações políticas. Nomes como o ex-administrador Evanildo Macedo e a conselheira tutelar Irene Nascimento, entre outros, seguem sendo apontados como possíveis alternativas, evidenciando que, apesar da nomeação de Wagner Rodrigues de Sousa já ter sido publicada no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF), sua indicação ainda é contestada pela maioria das lideranças locais, principalmente por grupos políticos ligados a Rafael Prudente, identificado como responsável pela indicação de Wagner Rodrigues. Esses grupos afirmam que a discussão sobre o administrador regional permanece em aberto, inclusive com a chacela do deputado e prometem levar a discussão adiante, com cobranças diretas ao deputado, deixando claro que a definição sobre o comando da administração está longe de um desfecho consensual e deve, antes de qualquer decisão, ser debatida com a comunidade. "É inadimissível que vamos ter que engolir mais uma vez sermos administrados por uma pessoa sem identidade com a cidade, principalmente depois da promessa do Rafael de que o novo administrador saíria do concenso entre a comunidade", disse insatisfeita uma liderança comunitária.
Na noite desta quarta-feira (16), lideranças comunitárias e grupos políticos ligados à base do deputado Rafael Prudente e da governadora Celina Leão se reuniram com o objetivo de construir um nome de consenso para assumir a administração regional, após a saída de Alceu Prestes. Durante o encontro, foi discutido, inclusive, a permanência de Wagner Rodrigues no cargo. Entretanto, segundo relatos das próprias lideranças, a avaliação predominante é de que o líder religioso, "além de não estar confortável na função, especialmente por atuar fora de seu principal reduto, Taguatinga, ainda não possui qualquer identidade com a cidade". Diante desse cenário, o nome do ex-administrador Evanildo Macedo e da conselheira Irene Nascimento voltaram a ganhar força como alternativas. Ainda de acordo com informações das próprias lideranças, a reunião só teria ocorrido por sugestão do próprio parlamentar, que dias antes já havia sinalizado ao seu grupo político que a escolha do novo administrador deveria passar por um consenso junto à comunidade local. "Fizemos o que o Rafael nos recomendou e chegamos ao concenso dos nomes capazes de trazer autonomia política para a cidade e agora vamos levar até ele (deputado) para que possa atender essa, que é uma das principais demandas da cidade Estrutural", enfatizou outra liderança
A falta de consenso e a retomada das discordâncias políticas geram um ambiente de insegurança institucional e dificultam a interlocução com o Governo do Distrito Federal. Em uma região marcada por demandas históricas em infraestrutura, regularização e serviços públicos, o risco é que a instabilidade política comprometa avanços e atrase soluções urgentes para a população.
Até o momento, Wagner Rodrigues de Sousa permanece à frente da administração da Estrutural e, segundo informações de bastidores, não há previsão de mudanças. Essa sinalização é reforçada pelo gabinete do deputado Rafael Prudente, que vê no atual gestor um perfil técnico e político capaz de conduzir a cidade. Destaca ainda, atributos como responsabilidade, capacidade de articulação, sensibilidade política e experiência administrativa como fatores que confirmam sua permanência no cargo. A avaliação é de que essas características podem garantir segurança jurídica e estabilidade administrativa à região, dando continuidade, sob outra condução, ao trabalho desenvolvido pelo ex-administrador Alceu Prestes.
